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segunda-feira, 18 de novembro de 2013

COTIDIANO


Final de semana vai chegando. Passamos a desejar que ele chegue repleto de graças e bênçãos, pra que a vida nos seja plena e a juventude eterna. Que recebamos carinho em forma de chuva e distribuamos alegria como raios de sol. Porque entre um carinho e um sorriso, entre uma gota de chuva e uma fresta de sol, podemos fazer brotar e vivificar tudo que parecia moribundo ao nosso redor.

A noite de sexta-feira agiganta o cansaço dos que pelejaram nas batalhas corporativas do lucro e nas batalhas individuais da sobrevivência. Os humanos se recolhem aos lares, festejando mais uma semana de vida, de conquistas ou de meras etapas cumpridas. Rolhas e tampinhas espocam aos borbotões, espalhando espumas, bolhas, odores e sabores pelos narizes e bocas sedentos de descanso.

E o sábado desperta com inquietude, movimentando os indivíduos e as hordas. A casa se enche dos ausentes, presentes no fim de semana. As lembranças dos que se foram povoam algumas cadeiras e poltronas vazias. Os sorrisos invadem as faces. As gargalhadas ricocheteiam na alvenaria e atravessam a massa devassável das janelas, inundando o vazio das ruas frias ou massificando a alegria contagiante que milhões de pessoas desprendem de seus íntimos no 7o dia.

O domingo começa com a notícia da floração da orquídea que plantei durante o inverno, num dos galhos do nosso Flamboyant. Ali no alto, isolada, apesar da pequenez de suas poucas flores, ela "faz sombra" e dá graça e encantamento à nossa suntuosa árvore, agora despida das flores da primavera, que vagarosamente vai recobrando sua folhagem, suas vestes.

O dia passa ligeiro, porque haverá despedidas. No futebol, alguns venceram, outros perderam ou empataram. Alegria para uns, tristeza e alarde para outros. O principal grito preso na garganta já foi ecoado, mas ainda estão presos alguns choros que não se quer chorar. A casa antes repleta de movimento vai se esvaziando. Um filho parte pra Minas Gerais; outro pro Rio de Janeiro; e o terceiro se esforça pra demonstrar que não sentirá suas faltas, até que se encontrem nova e brevemente.

Apesar do avanço do tempo, do acumulo de anos, de experiências e de conquistas, ver os filhos juntos pelos chãos, mesas ou sofás da vida ainda é a melhor visão para o meu coração, tamanha a harmonia, carinho e amor que fazem questão de compartilharem entre si e entre todos às suas voltas.

É vida que segue. Como um conjunto de flechas que tem o destino como ARCO e a família como ALJAVA. Nós, pais, apenas preparamos cuidadosamente cada um desses projéteis: sua retidão, sua afinação e seu equilíbrio. Como o conjunto madeira/lâmina/penas das flechas, constrói-se também o trinômio caráter/valores/personalidade dos filhos. E esperamos apenas que estejam sempre prontos para se lançarem vida afora.


E a segunda-feira brota sorrateira em nossas vidas. Mas ao invés de carregar consigo aquele ar sofrível de recomeço, parece trazer para nós aquela sensação gostosa de mais uma semana, de mais um conjunto de sonhos, de mais esperanças e de novos reencontros. Assim é o nosso cotidiano. Assim é a vida em sua normalidade.

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