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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

MORENA TRIGUEIRA


Morena trigueira, olhar lânguido, lábios mesocarpos, nariz cabal que adorna matreira face.

Cabelos betuminosos que esquadrinham formosa silhueta curvilínea, sensualidade patente e paixão ausente.

Do alto desse 01 metro e sei lá quantos centímetros, o que tem te impedido de encontrar alguém tão especial quanto você?

Todos os seus predicados estão no dicionário, mas um homem à sua altura só será encontrado ao acaso. Destinos que se cruzarão, um dia, como que predestinados: cara e coroa; côncavo e convexo; capa e contracapa:

Maktub!

segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

SOMEONE LIKE YOU - Alguém muito especial


Alguns tipos de mulheres são especiais, porque elas preenchem os espaços que a vida não nos preparou para deixar vazios!

Provavelmente alguém preencheu algumas lacunas em sua vida este ano! Eu quero acreditar que qualquer pessoa que tenha feito isso era importante e necessária!

Você não pode modificar o que aconteceu, mas é provável que você tenha aceitado fatos sem discutir a felicidade. Mas acima de tudo isso, eu tenho que te dizer: Você deve acreditar que ele ou ela te fez feliz! Ou te faria, se você quisesse sê-lo.

Não havia ninguém especial dentro do seu peito quando apareceu alguém pra iluminar seu caminho! Casais verdadeiramente enamorados têm caminhos de luz. Mas você é muito especial, muito singular, muito única. E não há coração que não possa ser preenchido.

Obrigado por permitir-me sentir especial durante este ano. Obrigado me por dar de volta esse sentimento especial. Hoje me sinto tão amado! Estou me sentindo tão plural, tão nós. Se me desafiares a ser melhor do que isso no próximo ano, eu serei.

Você conhece apenas a parte de mim que você precisa para ser feliz. Mas eu te desafio a conhecer a outra parte de mim, que te traz felicidade sem trocas.

Como um amigo de verdade! A outra metade do seu inteiro. A parte que te precisa pra também ser completo.
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Certain types of women are special, because they fill the spaces that life has not prepared us to leave empty!

Probably someone has filled some gaps in your life this year! I want to believe that anyone who has done it was important and necessary!

You can`t change what happened, but it is likely that you have accepted facts without discussing happiness. But above all this, I have to tell you: You must believe that he or she made you happy! Or would, if you wanted to be.

There was no one particular inside your heart when someone came to light your way! Truly enamored couples have light paths. But you are very special, very unique, very unique. And there is no heart that can`t be filled.

Thanks for letting me feel special this year. Thank you for giving me back that special feeling. Today I feel so loved! I'm feeling so plural as us. If you challenge me to be better than that next year, I`ll be.

You know only the part of me that you need to be happy. But I challenge you to know the other part of me, what brings you happiness without trade.
As a true friend! The other half of its whole. The part that you need to also be full.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

CRÔNICAS DA VIDA REAL: O GALO CONTINENTAL



O curso da história finalmente parecia ter mudado. Anos e anos de espera, de devoção, de acompanhamento fervoroso pareciam ter sido finalmente premiados. O GALO chegava às 4as de final da COPA LIBERTADORES em condições nunca antes tão favoráveis: (a) melhor campanha na fase de grupos; (b) Melhor ataque; (c) Defesa menos vazada; (d) D) Duas vitórias convincentes sobre o "papão" São Paulo nas oitavas.

Time confiante, bem armado, veloz, matador. Passar pelas 4as de final parecia uma missão tranquila. PARECIA!

Veio o TIJUANA, time aguerrido e bem disposto que na partida de ida poderia ter liquidado a fatura, com um placar elástico que felizmente não ocorreu no primeiro tempo, diante de um Atlético visivelmente exaurido pelas 20 horas de viagem até o estádio de Caliente (México). No 2o tempo o time se encontrou e, alheio as adversidades de um campo de grama sintética,conseguimos um histórico empate em 2x2. Primeiro milagre de Cuca, colocando o reserva Luan, que arrancou o empate com puro oportunismo. O jogo de volta, no horto seria mamata. SERIA!?

O TIJUANA saiu na frente no 2o jogo, com uma pintura à là DIEGO RIVERA(1). E apesar de o GALO arrancar o empate, não conseguiu superar a forte e competente marcação do adversário. A torcida havia vestido a máscara do pânico, mas o pânico se viu durante poucos minutos nos rostos do todos os atleticanos: Pênalti para o TIJUANA, aos 46 do 2o tempo. Bastava converter e o GALO daria adeus a seu sonho. Mas veio a grande surpresa e o primeiro milagre de SÃO VICTOR. DEFENSA impressionante com os pés.

Veio a semifinal contra um aparente frágil NEWELL OLD BOYS. APARENTE?

Time que eliminou o papão BOCA JUNIORES nas 4as de final e campeão do 1o turno do campeonato argentino, armou-se muito bem em Rosário (Argentina) e arrancou na frente com um 2x0, com direito a um GOLAÇO de falta de Scocco. Também uma pintura, dessa vez a lá PRILIDIANO PUEYRREDÓN(2). O jogo de volta, no horto, poderia complicar. COMPLICAR!?!?

O time entrou bem armado e de cara abriu o placar. Mas os minutos avançavam impávidos e o 2o GOL insistia em não sair. Foi a vez de Cuca operar seu 2o milagre, mexendo de forma ousada no time, para que desa vez pudesse brilhar o reserva Guilherme, com um GOLAÇO de puro oportunismo e pontaria certeira.

Vieram os pênaltis e o time que batera o BOCA com incríveis 10 x 09 (13 cobranças de cada) sucumbiu ante o 2o milagre de São Victor, defendendo a 5a cobrança argentina, pelo carrasco Maxi Rodriguez.

Chegamos à final contra outro "papa títulos": O OLÍMPIA do Paraguai. O jogo de ida, no estádio Defensores Del Chaco, em Assunção, foi perdido por novo e sofrido 2 x 0, com direito a gol de falta de Pittoni aos 48 do segundo tempo. Uma pintura tosca, porém eficiente, a lá JULIÁN DE LA HERRERÍA(3). O jogo de volta seria uma batalha épica, como o foi a própria Guerra do Paraguai(4).

No Mineirão, com a Gols de Jô e Leonardo Silva, garantimos o direito à decisão nos pênaltis. Pré-destinado a operar seu 3º milagre, Victor defendeu a primeira cobrança e a 5ª e última cobrança do Olímpia carimbou a trave, dispensando com humildade e carinho a derradeira cobrança do GALO, por Ronaldinho.

Um público presente de 56.557 torcedores e a maior bilheteria da história do futebol brasileiro (R$ 14.176.146,00), além de ter rendido à Rede Globo Minas 41 pontos de audiência e 69% de participação na grade televisiva do horário do jogo, números superiores aos eventos esportivos do UFC. Milhares de atleticanos ansiosos, crentes e merecedores de um título histórico grandioso. Até 03 gerações de famílias se acotovelando nas arquibancadas para, enfim, ter o direito de bater no peito e soltar o grito há décadas represado na garganta e no coração:


É CAMPEÃO DOS CAMPEÕES
(NÓS SEMPRE ACREDITAREMOS).





E, assim, chegamos ao mundial de clubes, com a humildade de quem quer vencer mais.
  1. Diego Rivera foi um dos maiores pintores Mexicanos, nascido em Guanajuato em 8 de dezembro de 1886 e falecido em San Ángel, Cidade do México, em 24 de novembro de 1957. Nome completo: Diego María de la Concepción Juan Nepomuceno Estanislao de la Rivera y Barrientos Acosta y Rodríguez.
  2. Prilidiano Pueyrredón Era arquiteto e engenheiro e foi um dos maiores pintores Argentinos, nascido em 24 de janeiro de 1823 e falecido em 3 de novembro de 1870. Conhecido pela sua sensibilidade costumbrista e preferência pelos temas do cotidiano.
  3. Julián de la Herrería foi um dos maiores pintores Paraguaios, nascido em Asunción, Paraguay, em 3 de mayo de 1888 e falecido em Valencia 11 de julio de 1937. Nome completo: Andrés Campos Cervera.
  4. Guerra do Paraguai foi o maior conflito armado internacional ocorrido na América do Sul. Ela foi travada entre o Paraguai e a Tríplice Aliança, composta pelo Império do Brasil, pela Argentina mitrista e pelo Uruguai florista. A guerra estendeu-se de dezembro de 1864 a março de 1870.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Meu Adeus a Nilton Brum (e outros queridos)



Um grande homem se vai
Um farto exemplo de pai
Um amigo e também herói
Saudade que em mim já dói

Foi pouco o que convivi
Mas muito o que aprendi
Um vasto sorriso no rosto
Parceiro que me deu gosto

Atleticano diplomado
Capitalizou a paixão
Os filhos, já escolados
Do GALO não abrem mão

Pais de meus amigos partiram
Marcelo, Betina, Pedrosa
Curto o tempo que se despediram
Com meu pai, nem tive prosa

Grandes estrelas sacodem
O firmamento na decolagem
Estruturas terrenas explorem
No tempo da nossa passagem

Não há como impedir
De uma estrela ter retornado
Resta-nos apenas sorrir
Por Deus fazer o chamado

Por ter chamado Mandela
Deus não quis arriscar
Pra que ter tanta cautela
Se um exército podia formar
Escolheu a melhor clientela
Pra o moço acompanhar

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

PAVÊ DE ABACAXI - Receita da vovó


INGREDIENTES:

02 caixinhas de leite condensado
01 média de leite
03 gemas

02 pacotes de biscoito maisena
01 suco da casca de 02 abacaxis

02 (ou 03) abacaxis não muito maduros cortados em cubos
01 xícara de açúcar (se os abacaxis não estiverem muito maduros)

03 claras batidas em neve
02 caixinhas de creme de leite
02 colheres de açúcar

01 pacote de coco ralado úmido

MODO DE PREPARO:

Lave bem os abacaxis. Pode usar sabão neutro e uma escovinha de cozinha. Descasque-os e reserve as cascas.

Corte-os em fatias longitudinais, de modo a excluir completamente o miolo. Descarte os miolos (ou coma).

Recorte as fatias em cubos pequenos e leve-os ao fogo para cozer, juntando o açúcar. Mexa sempre e deixe o excesso de água secar, mantendo um pouco da calda. Caso os abacaxis estejam bem maduros o açúcar é dispensável, além de o doce ficar mais sadio ao final.

Faça um suco com as cascas no liquidificador e umedeça um pacote de biscoitos nela. Caso não queira usar as cascas, use a metade de um 3º abacaxi para fazer o suco e encharcar os biscoitos. Reserve.

Misture as duas latas de leite condensado, as 03 gemas e o leite numa panela, leve ao fogo e mexa constantemente até obter um ponto de mingau.

Bata as 03 claras até atingir ponto de neve. Acrescente as 02 colheres de açúcar e em seguida as 02 latas de creme de leite e mexa até obter um chantili.


MONTAGEM:

Forre uma travessa de vidro com o mingau. Faça uma cobertura com o pacote de biscoitos secos. Uma segunda cobertura com os biscoitos amolecidos no suco de abacaxi. Acrescente o abacaxi em cubos. Cubra com o chantili e em seguida o coco ralado.

Leve ao refrigerador por 06 horas, para que fique em ponto de corte.


OBSERVAÇÕES:
  • Serve 18/20 porções generosas
  • O açúcar pode ser substituído por adoçante sem maiores problemas, porque o leite condensado e o abacaxi já guardam grandes porções de doce
  • O coco ralado úmido dá mais sabor ao pavê
  • O biscoito maisena diluído no suco de abacaxi pode ser substituído por biscoito champanhe.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Crônicas da vida real: A ORIGEM DA FÉ


Estava uma senhora de pouco mais de 80 anos na calçada de sua residência, vassoura na mão, a conversar sobre Deus com uma pessoa mais jovem.

Bem próximo a elas, de dentro de um carro estacionado de vidros abertos (talvez por conta do calor , quiçá pela incredulidade), um senhor de 1/2 idade, ouvia atentamente a conversa.

Falava ela sobre as maravilhas de se ter Deus em nossas vidas, em nossos corações. Sobre as conquistas que alcançou pela fé e sob a proteção e os olhos de Deus. Sobre sentir Jesus diariamente ao seu lado e a constante presença do Pai Celestial em sua vida.

Falava também sobre as batalhas e conquistas dos filhos, sobre as bênçãos dos netos, sobre os genros e noras tão extraordinários. Como poderia ela, uma simples cabeleireira, mãe de 06 filhos, órfã de marido, ter conquistado tantas graças senão pela MÃO DE DEUS!?!?

De repente, foram interpeladas pelo ouvinte, ante a seguinte e incrédula indagação:

- Onde está esse seu Deus? Esse Deus que vocês tanto falam? Você já viu essa MÃO DE DEUS que vocês veneram!? Por acaso já sentiu o toque ou a textura da Mão de Deus?

Parcimoniosamente a Velha Senhora olhou-o nos olhos e respirou fundo. Buscava dentro de si uma diretriz: Responder, declinar o diálogo ou ignorar a interferência abrupta e incrédula.

Em seus tantos anos de vida já presenciara pessoas defendendo seu "Deus pessoal", sua religião preferencial, um Cristo que ainda não veio, as preferências ao Velho Testamento em detrimento do Novo, a negação de Maria e tantas outras coisas que lhe feriam os ouvidos, mas não lhe afetavam a cristandade, nem a fé, nem a inabalável crença em um DEUS ÚNICO, porém de todos.

Não se conteve; e suavemente retrucou:

"Meu querido:

Você vê o ar que você respira? Ou você apenas o sente e sobrevive porque tem certeza que o está respirando?

Você enxerga o vento? A brisa que lhe acaricia o rosto ou a tormenta que arranca árvores? Ou apenas sente a sua presença ou presencia a sua passagem?

Você pode tocar seus sonhos? Ou apenas acredita que pode torná-los algo concreto!?

Você vê os seus pensamentos? Ou apenas tem certeza que eles estão dentro de você, sejam eles bons ou maus presságios ou o fruto da sua consciência!?

Você já viu o amor!? Ou apenas acredita que o que você sente é real, palpável e justificável para mergulhar de cabeça!?

Você enxerga o cheiro das coisas? Ou você simplesmente sente e se agrada ou desagrada!?

Você pode ver o som, os ruídos, os barulhos, as vozes? Ou você apenas ouve o barulho da chuva, do vento nas árvores, dos pássaros e dos animais, e acredita e os admira!? Ou você é daqueles que prende pássaros pra ENXERGAR seu cântico diário!?!?

Você vê a dor? ou simplesmente a sente e a combate ardorosamente? A dor do corpo, a dor da alma, a dor dos sentimentos? Você as vê ou você convive com elas!?

Pois assim também é o Deus da minha vida. Eu não posso vê-lo, mas eu posso senti-lo e quase posso tocá-lo. Eu sinto diariamente a textura d'Ele. O perfume das flores sintetiza um cheiro de Deus!  As cores das aves traduzem uma coloração de Deus! As variações e os relevos das paisagens simulam um contorno de Deus! Os gostos das frutas me exprimem sabores de Deus. E todas essas maravilhas da natureza que nos cerca, que Eu posso tocar com graça e fé, me revelam a textura das mãos de Deus".


Diante de tantas constatações e indagações o jovem senhor se calou e se pôs a refletir. Nenhuma outra palavra precisou ser dita naquele momento.

E assim deve ser a presença de Deus em nossas vidas. É dessa força que vem a minha crença no Altíssimo. Dessa jovem senhora de mais de 8) anos que me ensinou as pequenas coisas sobre a fé. Essa pequena grande senhora: MINHA MÃE!

terça-feira, 26 de novembro de 2013

26 DE NOVEMBRO DE 2013 - 50 ANOS



Do alto de meus 1,725m de altura, "meia idade" vos contempla! Uma data memorável, mesmo porque é improvável que eu esteja aqui pra escrever-lhes sobre a "idade inteira".


Ajustei minha altura à realidade! Nunca tive 1,73m como sempre frisei. Mas esse 1/2 centímetro já não faz mais falta ao meu ego! Cresci mais de 1/2 metro por dentro depois dos 21 anos, o que me dá uma matriz de crescimento real de invejável. Talvez isso justifique as dores nas costas, nas pernas, na Bacia e no abdômen! Fiquei pequeno por fora!

É provável que isso também explique aquelas pessoas pequeninas que realizam tantas proezas. Como é possível que conteúdos tão extensos se acomodem em tão pouca embalagem? Acho que por isso os baixinhos são inquietos! Minha mãe é assim e tantos outros que admiro.

Mas eu fugi ao fulcro! Estava falando dos meus 50 anos. Como sou limitado: só enxergo dois tons de cinza (claro e escuro)! Será que isso também limita minha imaginação sexual? Ora, que se danem os 50 tons de cinza! Claro e Escuro já se adaptam bem ao que me satisfaria hoje! Nada de extravagâncias! As 77 posições incendiárias do Kama Sutra não alimentam minhas fantasias (não mais)!

Na árvore do meu cinquentenário colhi vários frutos:

- 50 desejos (em cada poema)
- 50 realizações (em cada verso)
- 50 flertes (numa única mentira)
- 50 orgasmos (numa única conquista)
- 50 sonhos (em cada fase da vida)
- 50 vidas (em cada fase dos sonhos)
- E o mais importante: - 50 amigos! Em cada dedo das mãos!

Apesar dos filhos estarem ainda crescendo e se descobrindo, não espero genros. Mas por certo que minhas noras serão meus diamantes, porque dentro delas brotará a semente da minha semente: Meus netos!

E apesar das conquistas, do tempo que voa, dos sonhos que nos freiam, desce céu que não ousa mudar suas estrelas de lugar, não ousei plantar grandes árvores. Apenas laranjeiras, jabuticabeiras, orquídeas e outros personagens que eu pudesse ver os frutos ou as flores. Deu certo: Já chupei laranja e jabuticaba cujas mudas pousaram em minhas mãos. E fotografei flores de orquídeas cujas raízes fixei. Os herdeiros de minha essência frutificam e os discípulos de meus conhecimentos se agigantam, apesar de só os primeiros retornarem sempre, e me beijarem com carinho.

No início deste novo ciclo de vida, vejo-me na humilde posição de reconhecer e agradecer:

- Meus parabéns pra você, que me entende nessa complexidade simplória que me apresento! Que ignora minha casca de cupuaçu porque conhece o sabor que me habita!  Que releva meus devaneios, porque entende que nada sou ou serei, além de um simples poeta. Que aceita meus galanteios como meu escudo, porque se eu fosse diferente, não expressaria beleza interior. Obrigado a você, que saboreia meu gosto de laranja madura admitindo meus restos de sumo e nódoa! E que apesar dos 50 anos de idade que agora carrego ao redor de mim, se senta comigo pra compartilhar os 20 anos de idade que nunca me abandonaram.

E, no mais: FELIZ ANIVERSÁRIO pra nossa amizade!

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

COTIDIANO


Final de semana vai chegando. Passamos a desejar que ele chegue repleto de graças e bênçãos, pra que a vida nos seja plena e a juventude eterna. Que recebamos carinho em forma de chuva e distribuamos alegria como raios de sol. Porque entre um carinho e um sorriso, entre uma gota de chuva e uma fresta de sol, podemos fazer brotar e vivificar tudo que parecia moribundo ao nosso redor.

A noite de sexta-feira agiganta o cansaço dos que pelejaram nas batalhas corporativas do lucro e nas batalhas individuais da sobrevivência. Os humanos se recolhem aos lares, festejando mais uma semana de vida, de conquistas ou de meras etapas cumpridas. Rolhas e tampinhas espocam aos borbotões, espalhando espumas, bolhas, odores e sabores pelos narizes e bocas sedentos de descanso.

E o sábado desperta com inquietude, movimentando os indivíduos e as hordas. A casa se enche dos ausentes, presentes no fim de semana. As lembranças dos que se foram povoam algumas cadeiras e poltronas vazias. Os sorrisos invadem as faces. As gargalhadas ricocheteiam na alvenaria e atravessam a massa devassável das janelas, inundando o vazio das ruas frias ou massificando a alegria contagiante que milhões de pessoas desprendem de seus íntimos no sétimo dia.

O domingo começa com a notícia da floração da orquídea que plantei durante o inverno, num dos galhos do nosso Flamboyant. Ali no alto, isolada, apesar da pequenez de suas poucas flores, ela "faz sombra" e dá graça e encantamento à nossa suntuosa árvore, agora despida das flores da primavera, que vagarosamente vai recobrando sua folhagem, suas vestes.

O dia passa ligeiro, porque haverá despedidas. No futebol, alguns venceram, outros perderam ou empataram. Alegria para uns, tristeza e alarde para outros. O principal grito preso na garganta já foi ecoado, mas ainda estão presos alguns choros que não se quer chorar. A casa antes repleta de movimento vai se esvaziando. Um filho parte pra Minas Gerais; outro pro Rio de Janeiro; e o terceiro se esforça pra demonstrar que não sentirá suas faltas, até que se encontrem nova e brevemente.

Apesar do avanço do tempo, do acumulo de anos, de experiências e de conquistas, ver os filhos juntos pelos chãos, mesas ou sofás da vida ainda é a melhor visão para o meu coração, tamanha a harmonia, carinho e amor que fazem questão de compartilharem entre si e entre todos às suas voltas.

É vida que segue. Como um conjunto de flechas que tem o destino como ARCO e a família como ALJAVA. Nós, pais, apenas preparamos cuidadosamente cada um desses projéteis: sua retidão, sua afinação e seu equilíbrio. Como o conjunto madeira/lâmina/penas das flechas, constrói-se também o trinômio caráter/valores/personalidade dos filhos. E esperamos apenas que estejam sempre prontos para se lançarem vida afora.


E a segunda-feira brota sorrateira em nossas vidas. Mas ao invés de carregar consigo aquele ar sofrível de recomeço, parece trazer para nós aquela sensação gostosa de mais uma semana, de mais um conjunto de sonhos, de mais esperanças e de novos reencontros. Assim é o nosso cotidiano. Assim é a vida em sua normalidade.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

CRÔNICAS DA VIDA REAL: O DERRADEIRO E ETERNO AMOR (Na Verdadeira Pessoa, tão singular)



Houve um tempo que eu olhava pra vocês e dizia: - Meu Deus, que medo. Tão jovens e tão apaixonados e comprometidos. Será que terão tempo pra amadurecer? Ou será que amadurecerão com os erros? - Será que serão “unha e carne” como hoje se demonstram “pele e carne”?

Unha e carne se respeitam. No pequeno espaço que se predestinaram coexistir. Porém “pele e carne” pretendiam se completar por inteiro, por toda a extensão da matéria que dava sustentação ao Espírito.

Houve um tempo que eu tive medo que o amor de vocês se transformasse em “paixão”. E que os excessos levassem a empatia e a cumplicidade para o devaneio. Houve também um tempo que eu aprendi a ver vocês como “uma só carne”, tamanha a singularidade como se gostavam, se respeitavam e se apresentavam juntos. E descobri que esse respeito mútuo e essa maturidade era motivo de orgulho e não de preocupação pra mim.

Houve uma etapa que eu desejei que o tempo passasse mais rápido, pra ver vocês dois mais maduros, já encaminhados, e concretizando planos e sonhos da juventude. Houve um tempo que eu pedi que a vida fosse suavemente sábia e não lhes apresentasse o ciúme, a desconfiança e o medo da infidelidade.

Hoje o tempo me mostra vocês dois afastados, apesar de muito amigos. E, se a vida não tiver sido perversa demais, me resta apenas ter esperanças de vê-los juntos novamente. Mas se isso não for possível, que haja sabedoria e maturidade em seus corações para não sofrerem pelo outro e não fazerem o outro sofrer sua falta.

Na vida temos a oportunidade de conhecer várias pessoas e o tempo pode nos fazer apaixonar várias vezes. Nem o coração sabe escolher a "pessoa certa", pra vida toda.

O segredo da felicidade é se apaixonar várias vezes, pela mesma pessoa. E constantemente por si mesmo. Não é ser o primeiro amor; nem o último; mas sim o único. Mas se isso não for possível, que a sua felicidade plena seja conseguida quando você se tornar o derradeiro e eterno amor de alguém.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

DAQUI HÁ 10 ANOS (Diálogo sobre longas e curtas ausências)


O ano talvez seja 2023 e a data uma provável véspera de festas ou feriado. Inesperadamente (mas sempre esperando), me inquieto com o som da campainha numa noite de sexta-feira e, à porta, um de meus filhos chegando em visita:

- A benção pai!
- Deus te abençoe meu filho!
- Um tempinho que eu não vinha te ver Pai!
- Que nada filho, são coisas da vida! (um suspiro raso)
- Mas notei que dessa vez você não SOBRESSALTOU pai!? (risos jovens)
- Verdade filho, não sobressaltei! (alívio idoso)
- Se acostumou, né pai!?!? (Riso jovem amarelado)

- Talvez filho. Acho que aprendi a não sofrer. Troquei uma preocupação por uma curtição, reconhecendo que se a vida te equiparou a mim, era justo me resignar (suspiro de desabafo).

- Mas como papai? A vida jamais me equiparará a você, porque somos indivíduos autônomos e independentes. E não é justo que qualquer filho sobrepuje a história do próprio pai!

- Verdade filho. Mas eu me refiro a superar, valorizar, sobressair. Não me causam mais sobressaltos suas chegadas inesperadas e suas inquietantes ausências.

(Pai discursando e desabafando):

Foram tantas vezes que você saiu sem dizer que iria chegar. Tantas vezes que chegou sem avisar que tinha saído! Tantas vezes tentei lhe questionar sobre suas saídas e suas chegadas, que me perdi nos meus devaneios tolos de Pai. Mas você sempre chegou, ainda que inesperado para os outros e exacerbado para mim. Quantos torpedos, mensagens, emails e ligações investi nas "empresas X" dos teus aeroplanos terrestres!?

Um certo dia, quando me vi inevitavelmente à deriva da tua displicência e, ao mesmo tempo, timoneiro dos teus voos brilhantes, decidi não sofrer nas suas aterrissagens. Pois apesar de querer controlar tuas decolagens, eu lhe concebi com asas.

A despeito de tudo isso, no decorrer do tempo, você chegou ao meu ouvido e disse sorrateiro, em tom de euforia: - Eu me fiz você, e te tornarei igual ao teu pai!

Que momento grandioso você me promulgou com a notícia da sua paternidade! E que salto tríplice, com medalha, me concebeu saltar e premiar na olimpíada da vida! Ao me fazeres avô, percebi que todos os meus medos temeram em vão, e que você venceu as minhas quimeras e minhas angústias!

Eivado da mais pura substância curativa (O AMOR), me pus a debruçar teus filhos nas peripécias das minhas confianças e minhas preferências. E pude perceber que, estando ao lado dos melhores dos teus presentes, a vida não me permitiu mais cobrar o que eu achava ser indelicadeza, inconstância, alienação ou distração de filho.

Mas também me lembrei dos tantos amigos cujos filhos tiveram a vida interrompida por uma viagem, e que nunca se despediram. Nem deixaram netos!

Ao menos pude perceber que cada partida sua foi uma odisseia que meu coração tripulou inquieto, ao seu lado. E que cada chegada sua era uma página nova no capítulo da sua existência, escrita de próprio punho no livro de nossas vidas! Como me sobressaltar diante de uma descoberta tão grandiosa, meu filho!?

- Dá um abraço aqui, nesse seu velho pai!