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segunda-feira, 25 de março de 2013

EMOÇÕES



Emociono-me com um botão de rosa que se abre. É tão grande a força que ele guarda e que explode em vitalidade e beleza, que são necessárias fadas para segurar as pétalas e anjos para alinha-las com perfeição.

Emociona ver um filho vencer, estar entre os primeiros. Mas também compartilhar sua luta, suas dificuldades, seus agouros e suas derrotas. Emociona tê-lo visto em gestação e acompanhado sua chegada. Imagino ser indescritível a emoção da mulher por ser a embalagem do maior presente de Deus: A VIDA!

É emocionante cada conquista, corpórea ou incorpórea, e cada vez que a escada nos parece mais curta pra cima. Mas nada substitui a emoção de uma mãe que, ao se despedir do filho sem bens pra lhe oferecer na estrada, pede apenas que ao retornar, traga o nome da família honrado e honesto, tal como lhe foi entregue.

Gela a alma a emoção da conquista. O olhar de uma mulher. O semblante que repentinamente se transforma ante a inocultável reação de feições em colapso de desejos. O gelo na espinha contrastando com o fogo no sangue, equilibrando dois corações pulsantes que buscam harmonizar suas batidas.

A capacidade inventiva e criativa do homem comove. Mas também assusta a capacidade destrutiva. Emociona-se com a cura, especialmente quando ela é vivida dentro da família. Mas nos tornamos pequeninos ante a incapacidade de reverter o curso de um vício.

Emociona-se com o título, mas chora-se pelas perdas. Um time de futebol é, por vezes, uma divindade, e um torcedor congênere se torna um familiar durante a peleja. Um jogo decisivo toma lugar de uma refeição em família ou de uma decisão com a família. Dividi-se as vitórias na rua e as derrotas são refletidas dentro de casa.

Arrepia essa certeza do improvável. Alardeia e instiga, porque há tanta vida dentro de uma semente de mostarda quando fora desta galáxia. Os grãos de areia que machucam os olhos são os mesmos que, agrupados e transformados em espelhos, permitem que a visão exercite sua vaidade.

Intriga ser um Ente complexo (corpo, consciência e espírito), se Deus parece tão simples. Emociona acreditar, mesmo com tantos descrentes, que há quase 2.000 anos alguém ressuscitou pra que a história da humanidade fosse escrita de uma forma mais humana.

segunda-feira, 18 de março de 2013

CARTAS E POSTAGENS SOBRE UM GRANDE AMOR




Às vezes sinto sua falta, mesmo ausente. Outras vezes descubro a minha, mesmo presente! Nunca imaginei te conceder todo o poder sobre esse sentimento. Ou me descobrir com os ventrículos tão animadoramente desprotegidos.

Leio e releio nossas cartas, desejando que fossem POSTS. Curto os selos nos envelopes, querendo que eu pudesse curtir o sinalizador da caixa de entrada.

Rio de suas frases, da sua escrita torta, da sua letra irregular, dos seus erros de português. Querendo que fosse algo tão perfeito quanto os textos alinhados e corrigidos das redes sociais.

Arrepio-me com a profundidade dos seus pensamentos e do encadeamento lógico de sua redação, desejando que fossem frases curtas em POSTS ilógicos no meu mural.

Emociono-me ao final de cada bilhete, terminado de forma radical e eloquente com um sonoro TE AMO ou AMO VOCÊ, personificando a pessoa amada ao ocultar, de propósito, a sujeito que ama. Mas eu adoraria que fossem meras “curtidas”, ou comentários curtos e descomprometidos num SKYPE, pra demonstrar apenas admiração, respeito e saudade.

Vejo-me revirando a correspondência, conferindo a caixinha de correio, esperando o carteiro à campainha, pra entregar um POSTAL seu, desejando que o celular acusasse, ou que o computador registrasse, apenas uma mensagem não lida: SUA!

Não há tecla que "delete" ou "bug" que apague o que ficou registrado no papel, nos envelopes, nas costas dos postais e nas fotografias desbotadas. Nas manchas de tinta nos dedos meus, e no gosto da cola do selo na boca. A cor do uniforme do carteiro, o bornal de cartas ensebado, e o sorriso de quem sabe que entregou um beijo, antes de abrir a boca (carta). Coisas que eu não troco, não descarto e não me esqueço!

E todos esses meus desejos de "comunicação tecnológica" não são uma negação, negociação ou descrença aos veículos de comunicação que conduziram e formalizaram a nossa história juntos! Na verdade, é uma vontade incontida que de mesclar o romantismo do namoro antigo com a velocidade com que se pode amar hoje em dia.

domingo, 17 de março de 2013

ORAÇÃO DE SÃO PATRÍCIO (Irlandesa)

Que o caminho venha ao teu encontro. Que o vento sempre venha pelas tuas costas, e a chuva caia suave sobre teus campos. Que vivas todo o tempo que quiseres, e que sempre possas viver eternamente.
Lembra sempre de esquecer as coisas que te entristeceram, porém nunca esqueças de lembrar aquelas que te alegraram. Lembra sempre de esquecer os amigos que se revelaram falsos, porém nunca esqueças de lembrar aqueles que permaneceram fiéis. Lembra sempre de esquecer os problemas que já passaram, porém nunca esqueças de lembrar as bênçãos de cada dia.

Que o dia mais triste de teu futuro não seja pior que o dia mais feliz de teu passado. Que o teto nunca caia sobre ti e que os amigos reunidos debaixo dele nunca partam. Que sempre tenhas palavras cálidas em um anoitecer frio, uma lua cheia em uma noite escura, e que o caminho sempre se abra à tua porta.

Que vivas cem anos, Com um ano extra para arrepender-te. Que teus vizinhos te respeitem e os problemas te abandonem, os anjos te protejam, e o céu te acolha. E que a sorte das colinas irlandesas te abrace. Que as bênçãos de São Patrício te contemplem. Que teus bolsos estejam pesados, e teu coração leve.

Que a boa sorte te persiga, e a cada dia e cada noite tenhas muros contra o vento, um teto para chuva, bebidas junto ao fogo, risadas que consolem aqueles que amas, e que teu coração se preencha com tudo o que desejas.

Que Deus esteja contigo e te abençoe, que veja os filhos dos filhos de teus filhos, que o infortúnio te seja breve e te deixe rico de bênçãos. Que, deste dia em diante, não conheças nada além da felicidade. Que Deus te conceda muitos anos de vida. Certamente Ele sabe que a terra não tem suficiente quantidade de anjos. Que Ele te guarde em sua mão, e não aperte muito seus dedos. Amém!

(Autor desconhecido)


 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Aprendendo a dizer: "EU TE AMO"




Dizer EU TE AMO deveria ser tão cirúrgico quanto é matemático. Perfeito, irrefutável, imutável. Um sentimento onde a equação "Um mais Um“ é sempre igual a Dois e seus dois componentes sempre os mesmos.

Amar alguém é como se preparar BEM pro vestibular. Com desejos de classificação acima da aprovação. Aprender a amar é como matéria de 1º grau. Simples pra uns, complexo pra outros. Mas os conceitos são incorporados com o tempo. Com persistência, com dedicação, com estudos e com aprendizado.

Parece simples assim: Bom de HISTÓRIA pra iniciar e prolongar o papo; bom de PORTUGUÊS pra chamar atenção e escrever coisas verdadeiras. Muita (atração) FÍSICA; Muita QUÍMICA, pra grudar os átomos; e BIOLOGIA, pra saber como tocar. GEOGRAFIA, pra saber onde tocar; MATEMÁTICA, pra desvendar senos e cossenos; PSICOLOGIA, pra compreender desejos. INGLÊS, pras palavras obscenamente doces. E quanto mais se souber, mais se deve demonstrar! Sem medo de ser eloquente, abusado ou folgado. Não há "NERD" ou "CDF" no amor. Não se nasce sabendo amar: Aprende-se. E os erros nem sempre reprovam, mas ensinam.

Tal como é, o básico é essencial pra conquistar, mas talvez pouco pra manter. Seria necessário mais pra torná-lo eterno?

Talvez um pouco de MEDICINA? Pra amar de forma homeopática. Manipular sentimentos de forma magistral. Operar na vida de alguém como um milagre. Receitar sonhos e não errar diagnósticos. E saber dosar a vida a dois. Ou um pouco de GEOLOGIA? Pra conhecer as reservas, as riquezas, as fortunas do outro. Explorar de forma comedida; de forma harmoniosa; em sintonia com a sua natureza. Sem agredir o seu meio ou o seu ambiente inteiro.

Quiçá um pouco de ZOOLOGIA? Mulher “vira bicho” quando muda de humor. Loba ou cordeiro, raposa ou lebre, Leoa ou gata. E outros bichos também, que só na intimidade nos permitamos revelar. Importante a ENGENHARIA, pra ter estrutura e construir uma relação sólida e resistente. Mas não precisa ser DOUTOR, basta amar DIREITO.

Não, acho que não é nada disso!

O amor vai lhe pedir matéria, substância, conteúdo. E vai lhe passar “dever de casa”, diariamente. Não vai lhe pedir vivência, pois um “EU TE AMO” não requer currículo, nem experiência prévia. Apenas vontade de aprender, juntos. Mas certamente um amor verdadeiro lhe pediria: - Por favor! Não escreva "EU TE AMO" no caderno de outro alguém!

segunda-feira, 4 de março de 2013

COISAS ENTRE FILHOS E PAIS


Qualquer barulho é pressentido 
Ruído, murmúrio ou gemido. 
Assim é a audição de mãe e pai. 
Premeditando um filho que cai.

De repente coração reclama, 
(O sexto sentido acusou). 
Não tarda e o telefone chama. 
É filho que distraiu e tombou.

Tá vendo menino levado? 
Filhote de bicho travesso. 
De tornozelo luxado, 
Restou-lhe a bota de gesso.

Saltando acolá e ali, 
Reclamando e fazendo careta. 
Se aquieta menino-saci! 
Ou aprende a usar muleta.

E agora meu “manezinho” 
Não quer mesmo que eu insista? 
- É com todo o meu carinho, 
Que serei seu motorista!

Vou te levar na escola. 
No gesso botar sacola. 
O seu único assessor, 
Pra ajeitar seu cobertor.

Não interessa a travessura
Importa seu riso e a candura.
Uma paternidade comprometida,
Eu te prometo, por toda a vida!




segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

LADO A LADO - POR TODA ESTA VIDA




Quais lembranças nós carregamos das experiências a dois? Às vezes me descubro, inoportunamente, inquirindo-me sobre isso. Divago, vario, pairo na brisa do tempo, aguardando as graciosas lufadas de encantadoras recordações. É essencial que as boas lembranças sejam abundantes e meritórias, para que as ruins não sejam marcantes e evidentes.

Talvez eu me contente com as lembranças dos primeiros momentos. Do primeiro beijo. Do coração acelerado ante a sua face deslumbrante me descortinando. Do segundo encontro. O inusitado sobrepujando o corriqueiro para forjar um elo nas fornalhas do destino.

É possível que me bastem as lembranças de sua relação com os filhos. Suas concepções, todas as tentativas e os justos acertos. As gestações, a ampliação do seu corpo e a reconstrução da sua moldura. Os partos, a dedicação e o amor incondicionais, a doutrinação e a edificação da índole de cada um. E em meio a tudo isso, encontrar espaço pra me querer próximo, mantendo acesa a centelha feminina, a fagulha da mulher, em arremate ao acolhimento materno.

Quiçá eu resguarde os momentos menos reservados. As grandes viagens, os belos passeios, as idas ali. Os acampamentos. As inesquecíveis reuniões em família (tanto as famílias que nos ascendem quando aquelas que nos acolheram na sociedade). As conquistas, individuais e coletivas. As conquistas dos filhos e a percepção de saciedade missionária familiar.

Mormente queira eu guardar o que está por vir. As próximas viagens, os netos, os momentos a dois, as aulas de dança e de pilates, a impaciente serenidade de aguardar um ao outro. A perseverança do caminhar juntos. A derradeira despedida.

Mas ao final dessa viagem dentro de meu imaginário concreto, percebo que os acontecimentos podem se tornar parcos se, para o meu amor, não forem singulares os meus SIM e incontáveis as lembranças dos meus sorrisos.

E que eles tenham sido suficientes para justificar a minha presença ao seu lado.



segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

OLHOS DE AMOR



 
Eu vi o “Olho do Furacão”. E por ele senti medo, tamanha a sua potência e capacidade de destruição. O olho que arranca, arrasta e arremessa tudo que vê e transforma objetos enormes em pequenos ciscos em sua córnea de tormenta.

Eu me guiei por “Olhos de Gato”. Na penumbra do entardecer, na escuridão de noite sem lua, no perigo da neblina densa, sua capacidade de refletir a luz me mostrou a direção da estrada e o caminho seguro pra regressar ao lar e aos braços dos meus.

Eu espiei pelo “Olho Mágico”. E através dele senti calafrios, ao ver (ou deixar de ver) o que projetei em minha imaginação. Mas também senti alegrias, porque me trouxeram imagens que renovaram esperanças, além da porta de entrada.

Eu assisti o “Olho de Tandera”. E o quis em minhas mãos, ainda que ficção, pois me impressionava pela força e pela coragem que arremetia seus seguidores. O Olho que buscava justiça e vencia pela convicção.

Eu comi “Olho de sogra”. E seu sabor, inconfundível, me remete aos tempos de crianças, às brincadeiras de roda, de pega bandeira, de pique esconde e salada de frutas. Momentos inesquecíveis, gravados no córtex do “real” imaginário humano.

Eu busquei por “Olhos D’água”. Muitas vezes, andando pelas campinas, pelos serrados, busquei nascentes, olhos d’água por onde jorra pura e cristalina a seiva da vida, trazida à superfície direto do ventre da terra.

Olhos me levaram, olhos me trouxeram. Ameaçaram-me, confundiram-me. Me permitiram ver e me cegaram. Alimentaram-me (por vezes o corpo e outras a alma). Me fizeram crer no impossível e desejar a ficção, boquiaberto ante seus poderes.

Tantos olhos pra ver, tantos outros pra citar. Tantos sentimentos em mim afloram quantas vontades se lhes associo. Mas por essência, nenhum desses que citei tem brilho próprio. Nenhum deles me transmitiu tantas verdades e tantos fascínios quanto os olhos teus.

Estes não têm “cor de olho”: Não são negros, castanhos, mel, verdes ou azuis. Eles não orbitam nem se deslocam com a velocidade do pensamento. Nem fazem meu coração pulsar fora de ritmo, meu cérebro desenhar um futuro a dois ou meu corpo desejar que esses dois sejam Um.

E nenhum deles jamais estará incrustado harmonicamente em tua face e nunca se fecharão alegremente, pra enxergar um beijo meu. Minha essência se dilata, como pupila, em busca da sua luz.

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

MEU MAIOR ESPETÁCULO NA TERRA





Eu fui do céu ao inferno
Buscando inventar algo novo
Observando verão e inverno
Querendo agradar o meu povo

Andando na passarela
Caprichando na alegoria
Evitando qualquer mazela
Buscando pura alegria

Meu samba não mete medo
Meu enredo não é novidade
Minha avenida é meu segredo
Me embalando pela cidade

Meu mestre desfila na sala
Na minha porta: a bandeira
Viajando de ala em ala
Sambando de toda maneira

meus carros são abre-alas
Seguindo a comissão de frente
E o samba exprime as falas
Da Evolução dessa gente

Esse ritmo quase louco
Que repica na bateria
De tanto cantar, fico rouco
E explodo em rara alegria

O Gênesis me deixa rotundo,
Me superei, criando o mundo!
Se me julgar, não leve a mal:
Deus inventou o Carnaval!



Poema de: Mozart Boaventura Sobrinho

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

AMOR ORTOGRÁFICO



Nunca queira prender alguém. Não há prisão que retenha o amor e o respeito.



Eu sequer gosto da palavra POSSUIR, por exemplo, que é impositiva, possessiva e proprietária. Não se possui alguém, nem quando dizemos isso por conotação, entre quatro paredes. A posse é inflexível e preferencialmente indivisível.

Eu adoro as palavras TER e SENTIR, porque elas são transitórias, transitivas e transigentes. Temos e sentimos amor, saudade, desejo, tesão, admiração. Pode-se ter um amigo, um colega, um fã ou um ídolo e por eles (ou com eles) sentir as melhores e maiores emoções.

Mas eu me curvo às palavras DOAR e CEDER, porque são necessárias, etéreas e eternas. Ambos os lados de uma relação podem exercê-las, sem receio. Porque quem DOA e quem CEDE, imortaliza o ato de AMAR.