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segunda-feira, 22 de julho de 2013

DEZ COISAS QUE EU DESEJO




Que a nossa curiosidade intelectual jamais se contente com o óbvio!

Que nosso bom conteúdo transborde nossas embalagens!

Que saibamos ficar em silêncio, até compreender o significado dos sussurros e murmúrios!

Que haja sempre uma criança dentro de nosso espírito. E que ela conviva em harmonia com um “Eu” maturo de pensamentos e de coração!

Que a vida nos entregue pra pessoas que nos compreendam. E que essa lição nos torne compreensivos!

Que demonstremos amar profundamente, pelo simples fato de existir alguém que deseja nos fazer felizes!

Que consigamos temperar e iluminar a vida de alguém, suficientemente para sentir o sabor e enxergar o caminho!

Que haja música em nossos corações, sempre. E se ela faltar, que haja poesia e encantamento.

Que a realidade faça tanto sentido quanto as lendas que amamos.

Que nossos corações sejam pacíficos e mansos os nossos espíritos, pra que nossas batalhas na vida sejam travadas com sabedoria.

E mesmo que não sejam atendidos esses pedidos, que o amor nos seja pleno!

(Texto de: Mozart Boaventura Sobrinho)

segunda-feira, 15 de julho de 2013

AMIZADES PARA A VIDA TODA


Falarei de princesa e sapo
Fatos ao acaso ocorridos
Surgindo de um bate-papo
Pois não eram conhecidos

A moça puxou assunto
Foi logo correspondida
Nesse curto tempo junto
Rica conversa oferecida

Questionamentos sem dilema
Assuntos quase sem fim
A idade não foi problema
As horas passaram assim

Dividiram, riram e sonharam.
Muitas histórias contaram
Foi carinho à “segunda” vista
A “primeira” foi só conquista.

Intentam ter algo extenso
Longa amizade pela frente
O caminho parece imenso
Feito o carinho que se sente.

(Poema de: Mozart Boaventura)

segunda-feira, 8 de julho de 2013

TODO AMOR É SAGRADO


Por tudo que é mais sagrado: Uma postura com olhos pensativos, boca arqueada, cabelos reluzentes, longos e cheirosos, faz a gente querer sentar pertinho, fazer carícias e brincar de olhar no fundo do olho, sem piscar.

Beijar na boca e conversar bobagem. Mudar de assunto, só pelo prazer de dar gargalhada juntos. Sentar de costas um pro outro e adivinhar sinais. Contar estrelas. Brincar de ouvir o silêncio. Colher margaridas, pra brincar de "bem-me-quer". E roubar no final, pra “bem querer” sempre.

Mas isso não é suficiente para ficar só na insinuação. Não é essa a questão que te prenderá a alguém. Tem algo mais. Algo carismático, emblemático, espiritual, angelical. Sei lá. Tem que haver algo muito especial em quem nos cativa. A verdade é que jamais se imagina conhecer uma pessoa que seja tão linda. Que goste das coisas que também gostamos; que seja resolvida, que não esteja buscando alguém. E isso só nos bastará.

E não será a distância ou as dificuldades da vida que evitarão que se unam. Se distância evitasse amor, o Sol e a Lua não seriam namorados. Ulisses jamais completaria sua Odisseia, Júlio Cesar não seria conquistado por Cleópatra. Páris não fugiria com esposa de Meneláu e este não guerrearia 10 anos por Helena. A distância que afasta é a indiferença. E as dificuldades que desconstroem são o desamor e a ausência de perdão.

Deus não cruza caminhos cujos fluxos não possam se retroalimentar. Uma estrada é sempre dependente da outra, para ir ou para vir. São, na visão do inteiro, como o sistema sanguíneo, desde os pequenos vasos até o coração (desde Cristo até o menor dos Cristãos). Trafegam o líquido vital da vida, levando o alimento e trazendo as impurezas.

Tudo, do amor e para o amor, é sagrado. Porque tudo Nele conspira com o universo para que as pessoas tracem caminhos novos, a dois.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

A MINHA VOZ QUE TE ECOA


Se eu tivesse direito,
Queria não ter defeito.
Pra me entregar com vontade,
Doando-me sem ambiguidade.

Sentir sua pele macia
Seu cheiro de fim do dia
Madeixas esvoaçadas
E as faces mal retocadas.

Te esperar aquém do chuveiro
Com fragrância de alfazema
Humor de gata ou abelheiro
Te amar sem nenhum dilema

Me recostar em meu leito 
Seu rosto apoiado em meu peito
Respiração em seu ápice
De quem deseja ser cúmplice.

Eu vejo mais do que prosas
Nos versos que te ofereço
E oferto mais do que rosas
Nos pleitos de recomeço

Já não sou tão eloquente
A palavra já não tem efeito
Meu canto é mais emergente
Que o brado preso no peito.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

DEPENDÊNCIA CÓSMICA


Sinto o ar rarefeito. A distância da sua luz enche de frio meus anéis orbitais e não incita meu magma, adormecido, a aquecer a crosta de minha estrutura.


Repasso meus projetos de ser habitável por sua essência e perpetuar a sua existência, povoando meu interior com matas tropicais e minha orla com oceanos cristalinos e mansos riachos de água potável. Em lugar deles, percebo que a ausência de seus raios solares desertifica em mim o desejo de dar vida a você!

Parecemos, assim, estrelas que morrem, quando nosso sonho era produzir uma supernova, dando um novo sentido à essencialidade cósmica.

Sinto-me então um meteoro gravitando a sua órbita. Pareço agressivo e ameaçador, mas sem deixar de ser lindo visto de longe. Mas quando eu ensaio um simples passeio pela sua atmosfera (mesmo que a vontade real fosse dar um mergulho), sua gravidade me rechaça.

Outras vezes me sinto lua minguante, sem forças pra retransmitir alguma luz. Ou mesmo lua nova, sem claridade para mim mesmo, quiçá para iluminar seus caminhos.

Mas sei que posso influenciar suas marés (ou suas borboletas). Remexer seu interior e provocar em ti erupções vulcânicas. Clarear suas longes noites de insônia ou de admiração. 

Nesses momentos de minha rara lucidez, percebo que ainda somos duas estrelas querendo nascer e coexistir, sem que uma ofusque o brilho da outra. O amor permeia minhas atitudes e a esperança de dias melhores renasce na galáxia que planejei ter você como único sol.

segunda-feira, 17 de junho de 2013

SEU MELHOR AMIGO


Amigo é aquele cara que te dá a maior força. Que enxuga suas lágrimas quando não dá pra escondê-las. Que mesmo morrendo de tédio te ouve, te responde e te endente. Amigo é aquela pessoa de quem seu namorado não sente ciúmes (ou talvez sinta, mas confia em ambos).

Amigo te põe pra cima, te elogia, te chama de gostosa (sem mentir e sem nunca ter provado). Amigo sabe quando, como e porque você discutiu com o namorado. Mas também é otário, e se sente do direito de fazer brincadeiras que não faria com os amigos homens.

A liberdade entre amigos se perde num limbo desmedido e incomensurável da sala de espera da vida, onde as paredes são a confiança, o excesso, o carinho e a indignação. Que sentimento sobrevive ao tempo dentro de muralhas assim? Somente a amizade.

Amigo não é cabeleireiro, que sabe só a cor original do seu cabelo e algumas fofocas picadas que você não pôde desabafado pro amigo. Amigo não coloca seu namoro em risco, porque não vai dar em cima do seu homem. Já a amiga...

Sabemos o tamanho do seu cabelo (em milímetros), se mudou a cor, se mudou o corte. Sabemos sua preferência de batom, esmalte e ruge. Também sabemos suas fases de índia, quando se veste pra caçar, pra guerra, pra família ou pra si mesma.

Talvez você não reconheça o valor de um verdadeiro amigo na sua vida. Mas é bom que saiba que ninguém conhece melhor o seu bom gosto para fazer amigos e o seu mau gosto para escolher namorados.

Não tem ninguém assim na sua vida? Talvez eles tenham existido, mas o tempo, as escolhas, os erros e acertos te fizeram preterir esses guardiões. Mas, se pela essência de seus méritos e suas virtudes, a vida te presenteou como melhor amigo o seu namorado, faça-lhe reverências pela concessão de uma felicidade plena e uma existência completa.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

ME ENAMORANDO DE TI


Não era minha intenção
Te namorar desse jeito
Encher o teu coração
Com esse amor imperfeito

Não fiz por mal quando olhei
Vê-se que não se via em si
Mas de certo que reparei
Os verdes olhos em ti

Também espreitei o cabelo
As mexas de suas madeixas
Reluzentes e cheios de zelo
Velados como os de gueixas

As curvas não pude mirar
Era tempo frio de inverno
Mas pus-me a desejar
Arder nesse seu inferno.

Deste então lhe escoltei.
Minha caminhada é a sua
De tijolos dourados calcei
Minha calçada e tua rua.

Já não me vejo sozinho
Inunda-me o teu sorriso
Pudera o seu caminho
Aduzir-nos ao paraíso.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O CORAÇÃO: Essa máquina de transformar emoções



O coração é o órgão responsável pelo bombeamento do sangue através de todo o organismo humano. Bate em média 110.000 
vezes por dia, bombeando cerca de 5 litros de sangue e transportando oxigênio e nutrientes às células que sustentam as atividades orgânicas.

Mas é simplista demais e engana-se aquele que aceita o CORAÇÃO como um simples MOTOR do sistema de BOMBEAMENTO DE SANGUE.

Ele (o coração) foi feito pra receber, interpretar, absorver, difundir e multiplicar emoções. É o nosso alquimista mais ilustre.

É ele que recebe o ódio, dá um banho de ternura e perdão e o transforma em afetividade. Recebe a indiferença, embala com fitas de sensibilidade e presenteia o indiferente com atenção. Recebe a simpatia e a amabilidade, dá um tratamento de compreensão e discernimento e transforma-as em amizade e fraternidade.

É o coração que transforma a arrogância e a vaidade em vergonha, mergulhando-as em gentileza e compaixão. Mistura a resignação com a competência, leva ao forno da coragem e fabrica tijolos de tenacidade, edificando uma estrada de perseverança.

É no coração que os olhos preservam as visões mais belas de quem amamos, impedindo que o tempo lhes roube a vivacidade e a venustidade. Sim, Ele bombeia o sangue. Mas acima de tudo ele bombardeia sentimentos e emoções, a transforma vidas com suas rajadas de humanidade.

Meu coração vai assim, transformando e sendo transformado. E nesse ofício de alquimista, onde é aprendiz e confrade, meu coração segue otimista, bombeando felicidade.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

TRANSPIRAÇÃO E INSPIRAÇÃO



Às vezes o dia não encaixa. As horas parecem adquirir asas e voam com turbinas acopladas. E o tempo vai escasseando e esvaindo entre os dedos, como areia fina ou gelo em derretimento.

As tarefas não se completam e as iniciativas não logram êxito. Um arquivo é corrompido aqui, um programa não funciona ali, um computador não responde à altura. Mas há pessoas que aguardam pela sua competência do outro lado do “contrato”, independente dos recursos que você planejou dispor.

Uma pessoa querida tomba num acidente vascular; outra se contorce de dor; ou então está fora alcance dos olhos, estressada com o dia-a-dia. Ensaio um chamado de absoluta carência, mas recordo que os filhos estão distantes, pra lá dos antigos charcos da Reta da Penha, nas cercanias da Baia da Guanabara ou no miolo da Ilha de Saint-Laurent.

Uma voz ecoa por dentro e, de súbito, desejo gritar MAMÃE, mas recobro rapidamente os sentidos. Afinal ela está mais atarefada que eu nesse momento de angústia.

Olho pro lado e vejo as Escrituras e, ao lado, uma foto de meus Máximos Multiplicadores Comuns, ainda crianças. Num impulso de quem arremete o corpo fora d’água na busca do último resquício de oxigênio, os segundos comparam as crianças da foto com os HOMENS que a mãe natureza moldou com uma parte microscópica de mim.

Respiro fundo, recobro a confiança, resgato a fé, alinho os pensamentos e retomo o leme de minha nau. Afinal, se pude ser tão cirúrgico pra reproduzir a vida, ao invés de me apequenar diante de uma folha morta de papel, dar-lhe-ei vida nova com minha inspiração.

E eis aqui assim surgem, entre inspirações e transpirações, as coisas que escrevo.

(Mozart Boaventura)

segunda-feira, 3 de junho de 2013

LINHA DO TEMPO (Eu, Você, Eles, Nós)




No início era EU e a vida
Até "acontecer" alguém
A balada foi preterida
A solteirice também

Vieram filhos e encantos
As alegrias sem fim
Carinhos e acalantos
E a vida seguiu assim

Todo programa em família
Teatro, viagem, restaurante
Igreja, oração e vigília
Juntos, há todo instante

Mas filhos já nascem com asas
E voar não é questão de vento
Demoram em nossas casas
Mas planam pro firmamento

Dois já deixaram o ninho
No outro crescem plumagens
Traçam o próprio o caminho
E buscam outras paragens

Que exerçam a própria voz
Segurar filho pra que?
Até que se vá um de nós
Resta-me apenas você!

Você que mudou meu roteiro
Você que me reescreveu
Que lá no início era o INTEIRO
O TODO... do pedaço EU!

(Autor: Mozart Boaventura Sobrinho)