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quinta-feira, 26 de novembro de 2015

CINQUENTA E DOIS - mil motivos pra ser feliz


Outro dia mesmo era 26/11/1985 e eu vivia o vigor dos meus 22 anos! Praticamente 03 anos antes eu me mudara das altas terras de São Gotardo, no Alto Paranaíba das Minas Gerais, para a beira da praia e dos lindos coqueirais do Espírito Santo!

Lá deixei alguns amigos eternos, mas cá eu faria outros tantos, sem perder os primeiros! Eu acabara de conhecer a mulher que mudaria o curso da minha vida, pois nos anos que se seguiriam, ela me daria 03 lindos filhos, estabilidade financeira e apoio incondicional aos meus projetos!

Naquele ano, faleceram Rock Hudson, Orson Welles, Cora Coralina e o ex-presidente Médici. E embora o universo tenha levado Tancredo Neves, nos trouxe o primeiro Rock-In-Rio; e esperanças de dias de luta ao som das cordas e metais.



Mal me dei conta, já era 26/11/1995 e eu vivia a imaturidade dos meus 32 anos. Minha residência se mudara pro Leme, na Cidade Maravilhosa e, apesar da correria e tribulação do dia-a-dia, sempre sobrava tempo pra uma caminhada por Copacabana; ou ver o nascer do sol no Forte! Visitar o Jardim Botânico e inventar brincadeiras na orla da Lagoa Rodrigo de Freitas! Tantos novos amigos, tantas belas lembranças!

Naquele período, a África do Sul ganhou a Copa Mundial de Rúgbi, o Brasil entrou de vez no mundo "Internético" e Steve Jobs, expulso da Apple, revolucionou a história do cinema em quadrinhos, financiando a PIXAR a produzir TOY STORY, que com meus filhos assisti tantas e tantas vezes.



No repente de um fechar de olhos, me vi em 25/11/2005, de braços dados com a maturidade das minhas 42 primaveras. Poucos anos antes, eu havia retornado do Rio para Vitória, no que pretendo ter sido minha penúltima mudança! Tempos de alternâncias, filhos querendo crescer, velhos amigos reconquistados. Veio ali a linda fase de me tornar amigo dos filhos de meus vizinhos, dos filhos de meus amigos e dos amigos de meus filhos!!

Naquele momento, Angela Merkel assumia o comando da Alemanha, tornando-se uma das maiores estadistas de todos os tempos! Em agosto o furacão Katrina arrasou New Orleans e em abril faleceu João Paulo II.



Quando terminei minha incursão por todos esses anos, me dei conta que o relógio marcava 00h01min: o primeiro minuto de 26/11/2015. E do alto dos meus vívidos 52 anos, tomado de assalto por tão doces lembranças, Eu sorri.

Durante toda a minha caminhada eu semeei, cultivei e colhi:
  • sorrisos e lágrimas;
  • deleites e dissabores;
  • pessoas e seus sabores;
  • convergências e divergências;
  • percepções e decepções;
  • méritos e deméritos;
  • elogios e desaprovações;
  • afagos e bofetões.
Atirei muita semente boa à beira dos caminhos; ou sobre a rocha; ou entre espinhos. Mas também atirei semente boa em terra sã. E ali, em cada ingênua semeadura, brotaram tênues ou calorosos relacionamentos. Como o Semeador, minha resiliência cultivou a minha Fé, preservou a Família e multiplicou o Amor.

E eis que hoje, em meu aniversário, me vejo brindando a mais suave de todas as bebidas, me alimentando do mais saboroso de todos os recheios e do mais doce e belo de todos os frutos da vida:

A SUA AMIZADE!

segunda-feira, 16 de novembro de 2015

GENTE QUE ARRETABA E ENCANTA





já vi muita gente bonita na vida!! Mas a sua beleza é diferente, divergente, dilacerante! Simetria intrínseca de Fera, que rouba fragilidade extrínseca da Bela.

Essa boniteza suave de brisa de outono, de flores coloridas na primavera, de sol quente no verão e de lareira acolhedora no inverno!

Essa beldade cheia de energia e vitalidade. Que recarrega os espíritos com um "bom dia", as mentes com uma suave saudação e a vontade de viver com um "sorriso"!

Essa harmonia de criança grande! De uma maturidade coerente, responsabilidade racional e juízo elegante!

Esse primor que encanta e que cativa! Que enfeitiça com a suavidade do olhar! Que embevece a vida e arrebata a consciência! Sem varinha de condão

Essa venustidade cheia de simetria, grandiosidade e imponência! Essa formosura leve, surpreendente e extasiante como dentes-de-leão se espalhando pelo ar! Tal como o seu perfume e a sua aura! Tal como as pessoas que vêm pro mundo pra fazer diferença!

graça da vida não é escolher alguém pela beleza que emana, pelo perfume que exala ou pela elegância que desfila. Mas, sim, ser escolhido pela Bela, mesmo que transfigurado de Fera!

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

SAUDADES DE QUEM PARTIR

 


As saudades de quem partir de nossas vidas serão eternas. Não importa quanto tempo passe.

O admirável é saber conviver com a falta e valorizar a presença, enquanto ela existiu.










segunda-feira, 2 de novembro de 2015

FINADOS - Lembranças dos que se foram


Quando o último minuto de ontem morreu, uma lágrima nasceu em meus olhos. Brotou como semente faceira, que aguardou o momento certo pra germinar.

Não hesitei interpretá-la, pois já perdi muita carne: Uma avó amada. Um tio que foi segundo pai. Um Pai que foi primeiro Eu. Amores que morreram antes de vir à vida; amizades que nunca acabariam; amigos finados. Alguns que o tempo lhes tirou a vida; outros poucos que a falta de tempo lhes entregou a morte. Um único que a falta de vida lhe fez tirar a própria.

Mas eu indaguei a lágrima. Não a quis aceitar na face, ainda que passageira. Tendo ofuscando o brilho dos meus olhos, cingindo a minha face e fazendo olho d’água na minha caricatura, ela teria de se justificar. Mas não o fez. Deslizou faceira pelo meu semblante, pendurou-se incólume na curvatura do meu queixo e se jogou, como suicida, sem préstimo algum.

E ao perceber que o último minuto também se jogara (como a minha lágrima), me dei conta que era FINADOS. Que a ascensão do ponteiro do relógio e a queda da “gota de humor segregada pela glândula dos olhos” me traziam meus mortos. E a sucessão foi inevitável. Sucessão de lembranças, sucessão de minutos, sucessão de lágrimas.

Respirei fundo e aspirei umidade. Rebusquei meus ensinamentos cristãos e lembrei-me que FINADOS não é sinônimo de FIM e sim protagonista de VIDA ETERNA. Porque AMAR, de verdade, é ter certeza que O OUTRO não morrerá jamais.

Dobrei os joelhos, redobrei as angústias e "tri-dobrei" as amarguras. Porque todos esses que SE FORAM, deixaram em mim um tanto, quanto, muito. E minha personalidade se orgulha de carregar tantos, poucos, máximos.

Senti meus mortos me tocando a alma; senti o sopro da vida eterna; senti a vida me cobrar sorrisos. E eu pude dormir em paz!

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NOTA: O Dia de Todos os Santos celebra todos os que morreram em estado de graça e não foram canonizados. O Dia de Todos os Mortos celebra todos os que morreram e não são lembrados nas orações (Monsenhor Arnaldo Beltrami).

terça-feira, 27 de outubro de 2015

CRÔNICAS DA VIDA REAL: Quando partir o meu Velho Pai!!!

MEU VELHO PAI

E o 26/10 partiu. Sem deixar grandes marcas, como a bruma de outono na face de quem nada havia pra espreitar.

Partiu deixando esperanças pra alguns, felicidade pra outros, beijos apaixonados, abraços ternos, juras de amor. Como um dia comum de Primavera!

Deixou o calor sentimental dos que vivem o verão dentro de si, marcados pela casualidade de 04 números aleatoriamente alocados numa folhinha mariana pra significar um dia, um momento.

Pedi que esse dia partisse logo. Que não me cutucasse. Que fosse como o tempo breve, que não incomoda os vivos pela lembrança de seus mortos.

Levou consigo os 17 anos de falecimento de meu VELHO PAI, a quem eu gostaria de ter conhecido melhor em vida. Mais que isso, que meus filhos tivessem presenciado, bebido da fonte de suas genialidades dormentes. E a mim, desfrutar mais de sua intelectualidade brutal, seu sorriso criança, suas brincadeiras infantis, sua brutalidade inconsciente, sua tenacidade indócil, sua docilidade amarga, seu amor contido, sua paixão refreada.

Como um doce dia de primavera, o 26/10/2015 leva consigo o pólen da vida. Mas deixa as flores e os frutos daquele que plantou, no passado, mesmo que indigente, uma inescrutinável honestidade.

Carrego nos ombros todas as dúvidas que nunca tive. Toda a herança que me forjou à sua indelével igualdade. Mas trasporto no coração e na atitude, todas as certezas que carrego Dele: a retidão e inteligência de um sábio matuto.

Saudades eternas de meu VELHO JUCA, do meu VELHO PAI

segunda-feira, 26 de outubro de 2015

ENEM 2015


O ENEM 2015 deixou suas marcas inconfundíveis, como garra de urso em cerne de madeira!

As Ciências Humanas pareciam complicadas pro pessoal de Exatas (e vice versa)! Me perguntei como os jovens encaram as questões de CONTABILIDADE durante o ENEM, mas soube que as Ciências Humanas não abrangem as questões contábeis para os jovens! Como eles, então prestes a definir uma profissão, uma carreira, seu futuro, não precisam opinar sobre ativos, passivos, receitas, despesas e patrimônio!? Enfim, não vem ao caso! Eu nunca precisei opinar sobre (.....)!? Pensando bem, eu sempre tive que opinar sobre tudo, respeitando a influência de suas particularidades em minhas curiosidades!

As ciências da Natureza pareceram a Grande Vilã do final de semana!! Pesadas em subjetividades, as questões podem crucificar quem se acovardou ou premiar quem se preparou (ou é privilegiado)!

O Bicho Papão do domingo não carece de aprofundamento temático!! O conjunto MATEMÁTICA/LINGUAGENS/REDAÇÃO assusta até os professores mais bem preparados (de história, geografia, sociologia, psicologia, biologia, entre outras)!

O tema da VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER foi brilhantemente escolhido pela equipe do ENEM! Entre tantos temas, entre tantas questões relevantes, tantos desvios de caráter da sociedade moderna, fazer com que 7.000.000 de estudantes reflitam sobre a violência contra a mulher talvez tenha sido a MELHOR entre todas as ações de proteção da integridade feminina! Uma reflexão em massa muda o pensamento comunitário, ou impele o inconsciente coletivo e se questionar sobre o tema!

O inglês e o espanhol garantiram 05 pontos pra quem se dedica e se preocupa, desde antes de procurar uma profissão, a ter uma interpretação mais poliglota de seu futuro profissional. Quem se mira na singularidade de sua língua pátria pra projetar seu futuro não percebe que uma visão mais globalizada requer o domínio de mais línguas e linguagens!

Por fim, percebo que os meus se esmeraram! Usaram cada minuto, cada segundo do tempo que os desafiou durante dois árduos e exíguos dias! A ponto de assinar a pauta da sala (sim, os 03 últimos candidatos a entregar as provas assinam a pauta da sala com os coordenadores)! Resultados? Eu não sei ainda!! Mas percebo que, como milhares de pais pelo país, ajudei a forjar GUERREIROS, felizes e focados!

Percebi inúmeras virtudes e incertezas no semblante de cada jovem com os quais cruzei pelas escadas dos dois colégios que entrei: Medo, impaciência, incerteza, insegurança, hombridade, tenacidade, Gana, confiança, indiferença, soberba!

Que nossos jovens sejam privilegiados pelo conjunto de suas virtudes, e que tenham superado a feia face da provação indiscriminadamente discriminatória das quotas! Que nossos jovens sejam Gigantes, como a própria natureza!

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

A OPINIÃO SOBRE O AMOR


Não se muda o gostar e o querer com uma simples noite de sono, Ou de insônia. O que se disse ontem não se apaga ou se desdiz hoje! A palavra lançada não ter retorno. Mas pode ser complementada com um pedido de perdão.



Não é o travesseiro que perdoa; ou a face das costas de quem se ama. Um telefone desligado impede o perdão. A falta de vontade de atender não o permite fluir. O perdão requer um olhar altivo. Um semblante dócil. Uma vontade de perdoar ou não errar novamente.



Não se pede perdão de cabeça baixa. Não se perdoa de face caída. O Amor e o perdão requerem orgulho. Porque o amor supera e sobrepuja os pecados. Há que se ter vaidade pra perdoar de cabeça erguida.


O gostar e o querer se adaptam no tempo e se moldam aos novos sentimentos ou aos novos amores que surgem, quando se gosta e se quer com RESPEITO e ADMIRAÇÃO! Quando o gostar e o querer se dão as mãos, o perdão fica em desuso. Quem ama não pretende ser o primeiro. Não se importa em ser o único. Mas esmera pra ser o último!




segunda-feira, 12 de outubro de 2015

O SILÊNCIO COMO RENÚNCIA




Não importa o que lhe digam:


- Via de regra o SILÊNCIO não é a aceitação tácita de contra-argumentos, mas, sim, a renúncia imperfeita ao embate!

Quem se cala, pode apenas demonstrar respeito e admiração à sabedoria e ao conhecimento de quem discursa.

Quem se cala, pode simplesmente demonstrar que o silêncio é a reprovação íntima do que foi ouvido.

Quem se cala, muitas vezes diz mais do que quem fala. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

CALOS, VIVÊNCIAS E EXEMPLOS



Após meus 40 anos, quis dar pra minha mãe uma vida menos dura. E que ela, aos 75 anos, não precisasse mais trabalhar, e sim viajar, curtir os filhos, os netos e os bisnetos que viriam logo.

Foi quando ela me disse, que “nunca desaparecem os calos de quem nasceu pra o trabalho. E não se tira o trabalho de quem não vive sem os calos”.

Segui orgulhoso, cuidando melhor dos meus.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

QUE A FERIDA NÃO ESTANQUE O VERSO


No atol da rocas que fundeei meu mundo
No fio da roca que me espetei profundo
O dedo agora sangra, como o peito
E a pena cessa, a rima e o jeito.

O tato doído e rubro
Da escarnada ferida
Com um tenso vazio negro
Já não tateia a pena da vida

As promíscuas linhas das digitais intactas
Repletas do denso sangue da ferida aberta
Em sua sutileza de identidades incólumes
Não vêem o agravo que o sangue acoberta

Premida em seu eixo cinquentenário
Não sabe a pena se a ferida estanca
Entre dedos que concretizam o imaginário
É o que agora a pena em seu afã espanca

O peito profana insana rima
O cérebro capta, assimila e acena
Coesas, razão e emoção ditam a sina
Mas infringe a mão, afligida pela pena

De que adianta agora, o mundo sem poesia?
A pena não peleja, se o cérebro não raciocina
A mão não escreve, se o coração não cria
E a pena, inerte, a chaga não elimina

Reunido em assembleia, urgente
O corpo todo exige alforria
De uma peça antes demente
Surge a solução, quem diria
A boca sugere algo eloquente:
- Tapar a ferida com energia!

Desde sempre o autor quisera
Não desdenhar do verso como quimera
E rasga a alma cessando o medo
Secando a ferida do próprio dedo

Se antes no corpo o sangue jazia
Arqueja agora, sem hipocrisia
Se secou a tinta que os versos escrevia
Jorra em sangue uma pura poesia